A Falha na Matrix
O visitante é acolhido pela trilha sonora imersiva. As esculturas parecem artefatos indígenas e rupestres comuns, até que, escaneadas com o celular, os grafismos começam a brilhar. A experiência nasce ali, na palma da mão.

Instalação imersiva · Ilha Comprida, SP
E se a nossa colonização tivesse começado pelas estrelas?
Escultura, pintura, realidade aumentada e trilha sonora original numa fábula sobre as verdadeiras origens do Brasil. Uma produção SBS Studios com artistas do Vale do Ribeira.
Em desenvolvimento · rumo à primeira temporadaA fábula
E se a história do "descobrimento" do Brasil estivesse incompleta? E se, muito antes das caravelas, outros navegadores já tivessem mapeado estas terras, chegando pelas estrelas e não pelo mar?
Na nossa fábula, os visitantes vindos da estrela Aldebarã são os atrapalhados: "colonizadores" trapalhões que pouco entendem do território. A sabedoria que resolve, ensina e permanece é sempre a dos povos que já estavam aqui. A piada recai sobre quem chega de fora se achando superior. Nunca sobre quem construiu este lugar.
O nome vem do famoso "complexo de vira-lata", a mania nacional de se colocar em posição inferior diante do mundo. A obra pega o termo de vergonha e o devolve como bandeira de orgulho: nossa riqueza não vem de uma única origem "nobre", mas de uma mistura complexa e maravilhosamente viralata.
A experiência
Na exposição, as esculturas parecem artefatos arqueológicos comuns. Ao apontar o celular, os grafismos acendem e a peça revela sua vida secreta. Ensaie o gesto: arraste a linha e desperte a onça.
Onça Primitiva · estudo conceitual de pré-visualização
O percurso
O visitante é acolhido pela trilha sonora imersiva. As esculturas parecem artefatos indígenas e rupestres comuns, até que, escaneadas com o celular, os grafismos começam a brilhar. A experiência nasce ali, na palma da mão.
O que nasceu na tela se expande para os quadros, que ganham vida em realidade aumentada e revelam, com humor leve e sem desrespeito a nenhuma cultura, a "ajuda" atrapalhada dos seres de Aldebarã.
Tudo se funde numa peça única que celebra, com orgulho, a nossa mistura: genética e cultural, híbrida e interplanetária. Ser viralata é a nossa força.
Imagens: estudos conceituais de pré-visualização
O processo
A obra amadurece desde 2022: cadernos de estudo, argila, testes de realidade aumentada. Estes registros mostram o caminho entre a primeira linha a lápis e a peça desperta, o mesmo caminho que a exposição abre ao público.



O território
Ilha Comprida, no complexo estuarino-lagunar do Lagamar, guarda um patrimônio que a maioria dos brasileiros desconhece: uma das maiores concentrações de sambaquis do Brasil, cerca de 15 sítios protegidos pelo IPHAN, montes erguidos há até 6 mil anos pelo Povo dos Sambaquis.
É desse mistério verdadeiro que a obra parte. A ficção científica entra como lente de aumento sobre uma genialidade real, humana e documentada. Nunca como substituta dela: a seta da sátira aponta para o "civilizador" que chega de fora, jamais para quem construiu este lugar.
A base de tudo
Nossa fronteira ética não é policiada de fora. Ela é construída de dentro.
O projeto nasce ancorado numa parceria de longa data e no respeito profundo à aldeia Mbya Guarani Tekoa Takuari-Ty, de Cananéia. A liderança Abílio da Silva Martins e demais lideranças acompanham a obra desde a concepção, validando narrativa, grafismos e representações em cada etapa, num trabalho de consultoria cultural contínuo e remunerado.
A ideia ganhou corpo em 2022, após uma vivência com a comunidade. O nosso "E se…" existe para celebrar quem é a base de tudo, sem nunca passar por cima.
Formação
Para que a mágica não fique só na imaginação, a exposição se desdobra na oficina gratuita "Do Barro ao Byte: Criando Crônicas Fantásticas", para a juventude de Ilha Comprida, de 11 a 18 anos.
Módulo Barro: modelagem em argila, grafismos e narrativa visual com Sônia Batista Stern. Módulo Byte: fundamentos de realidade aumentada com Guinga.Space, em que cada jovem dá vida à própria escultura e apresenta o resultado numa mostra aberta às famílias.
Quem faz
Dá corpo em barro e pintura aos artefatos dos três atos, unindo a força ancestral dos grafismos à narrativa da obra.
Cria a camada digital que desperta as peças, com obra já exposta no Museu do Amanhã (2023).
Concebe a jornada do visitante e assina a trilha imersiva que acompanha do primeiro ao último passo.
Curadora e produtora com mais de 25 anos de atuação, com passagens pelo Museu Afro Brasil, SESC, MAM Rio e Theatro Municipal de São Paulo.
Liderança da Tekoa Takuari-Ty, de Cananéia. Acompanha e valida a obra desde a concepção.
Produtora audiovisual sediada em Ilha Comprida, com trabalho reconhecido internacionalmente.
A jornada
A ideia nasce de uma inquietação do diretor, apaixonado por ficção científica, após uma vivência com a comunidade Mbya Guarani de Cananéia.
A concepção amadurece: esculturas, estudos de realidade aumentada, trilha sonora e o desenho completo da experiência em três atos.
Os viralatas cósmicos seguem reverberando por Ilha Comprida, prontos para pousar na primeira temporada aberta ao público.